Em 2015, o PET Letras UFAL, em parceria com o Núcleo de Estudos Indigenistas – NEI, a Direção da Faculdade de Letras e a Coordenação de Graduação, traz para a 8ª Semana de Letras o tema Tradição, Transição e Transcendência.

 

A proposta temática surgiu em decorrência da coincidência de algumas “datas redondas”: o centenário do nascimento de Roland Barthes – escritor, sociólogo, filósofo, crítico literário e semiólogo – cujos estudos provocadores quebraram barreiras e transitaram por diversos temas abordados em sua vasta bibliografia; os 170 anos da primeira publicação, por Edgar Allan Poe, “o poeta e teórico da antecipação malograda”, do poema “O Corvo”, texto que – dotado de elementos estéticos refinados, apurada musicalidade, métrica esmerada e rimas complexas –figuraria no clássico artigo Linguística e Poética, de Jakobson, no qual o autor denuncia o “flagrante anacronismo 

Nesta 8ª Semana, serão percorridos Estudos Linguísticos e Literários que busquem interlocuções, deslocamentos e vivências de mutações, com vistas ao processo de mescla entre áreas e distintas perspectivas. Queremos fazer germinar perspectivas híbridas que se lancem para fora da terra, como se ansiassem por abraçar o céu, ou que tragam para a ribalta o inesperado, engendrando o estranhamento e a mirada para regiões que estão além do que a nossa visão alcança.

 

A Semana de Letras, evento de periodicidade anual, é promovida desde 2007 e em edições anteriores discutiu temas como: a integração social que a língua promove; o intercâmbio cultural nas manifestações lingüísticas e literárias em âmbito nacional; o fenômeno da hibridez da linguagem nos campos do saber; a memória como um elemento presente na modernidade; os 90 anos da Semana de Arte Moderna; a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; e, mais recentemente, em sua última edição, tratou de temas, perspectivas e olhares teóricos que não gozam de popularidade no âmbito acadêmico.

 

O evento conta com um público de, em média, 300 participantes que, a cada ano, tem se diversificado com a presença de discentes e docentes de outras instituições de ensino de Alagoas e de outros estados, sobretudo do Nordeste. Este ano, o evento abriga a V Jornada de Estudos Indigenístas e contará com conferências, minicursos, mesasredondas, oficinas, comunicações orais de alunos da graduação, CinePET, CiNEI, Expoletras, apresentações culturais e o III Concurso de Contos Arriete Vilela. 

               de um linguista surdo à função poética da linguagem e de um especialista de literatura indiferente aos problemas linguísticos; por fim, outras datas que recordamos e comemoramos nesta Semana de Letras são: os centenários dos nascimentos de Edith Piaf, ícone da canção francesa, e Billie Holiday, considerada por muitos críticos como a maior cantora do Jazz, e o quinto centenário do nascimento de Teresa de Ávila (a.k.a. Santa Teresa de Jesus), freira carmelita, mística e santa católica do século XVI que inspirou Jacques Lacan em alguns de seus estudos.

 

A intensa atividade reflexiva de Barthes torna a compreensão dele um processo hermenêutico semelhante à entrada em um labirinto, no qual a linguagem, assim como o Minotauro, se move com ampla liberdade, pois somos nós os intrusos e ela a nativa do terreno pelo qual nos movemos. O gênio de Edgar Allan Poe, que escreveu poemas, ensaios, contos e um romance, parece nos invitar a cruzar o umbral de suas palavras tétricas e, paralelamente, transitarmos em uma zona limítrofe, onde uma neblina– a linguagem – que refrata a luz, nos envolve. A ideia do evento,inspirada nos autores que ora celebramos, é trazer para discussão na universidade temas, perspectivas e olhares teóricos que possam, conscientes de suas raízes – Tradição –, mirar aquilo que está na possibilidade de vir a ser – Transição –, fazendo manifesto um novo estado de coisas – Transcendência.

O Oroboro ou Ouroboros, símbolo escolhido para esta 8ª Semana de Letras, acreditamos, representa tudo isso. Sua carga semântica remete a ideias como eternidade, mudança, temporalidade, fecundação, nascimento, morte, ressurreição, criação, destruição e renovação. Este símbolo, representado por meio de formas que se aproximam ora de uma serpente ora de um dragão engolindo a própria cauda, está associado à criação do universo, espaço-tempo no qual vida e morte confundem-se e rompem com a lógica que projeta fronteiras inabaláveis entre as esferas da vida, assim como as do conhecimento.

8ª SEMANA DE LETRAS

TRADIÇÃO, TRANSIÇÃO E TRANSCEDÊNCIA

APRESENTAÇÃO